O Cisma

A Igreja, espalhada no conjunto da bacia mediterrânica e organizada em redor dos seus cinco patriarcados (Roma, Constantinopla,Alexandria, Antioquia e Jerusalém), soube guardar no princípio a sua unidade global, (seguramente, largos seguidores da parte oriental da Igreja desligaram-se dela após o Concílio de Calcedónia – as chamadas Igrejas não-calcedonianas: da Arménia, da Etiópia, do Egipto e da Síria). Esta unidade torna-se mais aleatória depois da queda do Império romano do Ocidente.

As divergências culturais, o uso do latim no Ocidente e do grego no Oriente bem depressa cederam o passo às divergências de ordem político-religiosa que resultaram da separação do mundo mediterrânico em entidades políticas distintas. A instabilidade merovíngia no Ocidente que, por muitas vezes, fez do Papa o único elemento estável, reforça a autoridade jurídica do primaz romano, o qual anteriormente desfrutava apenas de uma primazia de honra.

Logo, ao longo do tempo, as divergências entre os cristãos ocidentais e orientais foram-se tornando cada vez mais nítidas e acentuadas, até que, em 1054, se deu o Grande Cisma do Oriente, em que a Igreja Ortodoxa (do Oriente) se separou oficialmente da Igreja Católica (do Ocidente). Apesar de depois ocorrer várias aproximações e tentativas de reconciliação, esta ruptura foi ainda mais aprofundada com o saque de Constantinopla (1204) durante a Quarta Cruzada e com a queda do Império Bizantino (1453) nas mãos dos turcos otomanos.

Doutrina

A Igreja Ortodoxa crê na Trindade, na natureza humana e divina de Jesus Cristo, que veio para perfeicionar o ser humano. “Deus tornou-se homem, para que o homem torne-se Deus”. Pecado não é visto como violar uma lista de regras, mas o estado não atingir o objetivo de aproximação de Deus, assim não crê que o pecado original transmitiu a culpa de Adão para seus descendentes, mas somente as consequências. A salvação é vista como um processo, como uma cura.

Maria nasceu sob a égide do pecado original (conforme a concepção ortodoxa e não a ocidental), mas viveu uma vida santa. Ela é considerada a Theotokos, aquela que portou Deus em si, rejeitando a tradução latina de “Mater Dei” preferindo “Deipara” ou “Dei genetrix” que são mais acurados.

A divina liturgia é solene e bela, possui um papel importante. Segue os ritos bizantino, antioqueno, alexandrino e o antigo rito de Jerusalém em algumas ocasiões especiais.

A Igreja Ortodoxa é governada tendo Jesus Cristo como o supremo primaz, que atua através do Espírito Santo através do conceito de “sobornost”.

O uso do termo “católica”

Muitas Igrejas Ortodoxas adotam o título de Católica como parte de seus nomes. Esse uso não indica alinhamento com a Igreja Católica Apostólica Romana sediada no Vaticano, sendo uma referência ao sentido original da palavra, que significa Universal.